"Bullying pode ter consequências para a vida toda", diz especialista

Em meio à polêmica de MC Gui com criança na Disney, neuropsicóloga alerta para riscos que a vítima corre e diz como lidar com ela após situações assim


Depois publicar um vídeo em que aparece caçoando de uma garotinha em um trem da Disney, na última segunda-feira (21), MC Gui teve patrocínios e shows cancelados e está sentido no bolso os resultados da atitude. Para a criança vítima do bullying, no entanto, as consequências podem durar até a vida adulta.

É o que alerta a neuropsicóloga, mestre em psicologia do desenvolvimento (USP), Deborah Moss. A especialista destaca que cada um reage de um jeito a situações assim e que, inclusive, a criança envolvida no caso do cantor pode não sentir consequências tão sérias. Mas os riscos existem.

"Você tem desde as questões do dia a dia, como queda do rendimento escolar e recusa de ir para a escola, até uma situação de isolamento, de a criança se fechar e passar a ter receio de ter contato com outras pessoas", explica. "Em casos extremos pode haver depressão, automutilação, suicídio. Situações como essa acontecem em uma fase de construção do 'próprio eu'. A criança pode ter uma distorção de quem ela é, e isso pode trazer consequências para o resto da vida".

Como lidar com vítimas de bullying?

Deborah afirma que, geralmente, crianças que sofrem bullying são mais tímidas e retraídas, o que pode dificultar a percepção dos pais. "E, às vezes, elas ficam com tanto medo que não pedem ajuda. Pais, professores e profissionais precisam estar muito atentos às crianças para qualquer mudança de comportamento. Qualquer coisa que se estranhe deve ser investigada".

Uma vez que o bullying é identificado, há maneiras de lidar que vão desde a interferência de um adulto até a busca por ajuda profissional.

"Há casos os casos em que um adulto interfere e resolve. Por exemplo: se a mãe da criança do vídeo do MC Gui se impôs e pediu para ele desligar o celular. É fazer, de alguma maneira, a criança sentir que ela tem voz através do pais e que tem quem a proteja", diz. "Mas, se a afetou emocionalmente, tem de buscar ajuda. Onde tem sofrimento tem de haver ajuda profissional".

E com o agressor?

Segundo a neuropsicóloga, muitas das pessoas que praticam bullying também estão passando por problemas, como insegurança, e acabam 'descontando nos outros'. Isso também explica por que esse tipo de situação geralmente acontece em público.

"Se o agressor é inseguro, por exemplo, ele quer ter plateia. É preciso entender o que acontece com ele para chega a esse ponto. Não é para passar a mão na cabeça, porque não é uma forma saudável, mas investigar o que o leva àquele comportamento".

No caso de MC Gui, a especialista acredita que o que houve foi a intenção de "fazer graça", mas, uma vez que você coloca algo na internet, "está sujeito ao entendimento dos outros e às críticas".

"O nosso limite termina quando começa o do outro. As redes sociais têm de ter limites, e é preciso muita cautela. Vejo essa comoção sobre esse caso com bons olhos, porque trouxe uma discussão importante: a gente não pode expor as pessoas, principalmente crianças", diz.

Via R7

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